Feminismo e o que eu tenho a ver com isso?
- 16 de nov. de 2016
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O feminismo é uma corrente antiga e em constante transformação. Nasce com a necessidade de equidade social entre mulheres e homens. Para entendermos o papel fundamental do feminismo é preciso que se faça um resgaste histórico: por volto do século XIX, inicia-se um movimento chamado sufrágio e assim nascem as sufragistas, pelo que elas lutavam? Igualdade social, direitos iguais ás mulheres e homens, essa luta eram de proletárias e mulheres com maior “ascendência” social, que tinham acesso às universidades e buscavam igualdade salarial, direito ao voto, direito ao trabalho, deixarem de ser tratadas como propriedade privada do marido e serem vistas como pessoas. Muitas mulheres acabaram presas, perderam seus trabalhos, até mesmo algumas perderam seus maridos, mas após alguns anos o direito ao voto foi concedido.
E então, vejo muitas dúvidas a cerca das mulheres perguntando o que se pode lutar hoje em dia, já que alguns destes direitos já foram conquistados, o que na verdade não passa de uma ilusão. Apesar de termos conseguido espaço no mercado de trabalho, temos jornadas triplas e recebemos menos do que os homens, engravidamos, então muitas empresas deixam de contratar mulheres por isso, ou ainda pior não concedem o que é nosso por direito: a licença maternidade (bom até hoje ainda é um direito), não existe uma representatividade de fato das mulheres no senado, não temos direito ao nosso corpo, afinal aborto ainda é ilegal (e tabu), quando não temos a religião ditando o que devemos ou não fazer com ele, temos a sociedade ou os maridos regrando nossos atos, mulheres morrem todos os dias vitimas da violência doméstica, morta pelo pai, pelo padrasto, pelo irmão, pelo primo, pelo tio, pelo avô, pelo namorado, pelo ex-namorado, pelo marido, pelo ex-marido, todos os dias o patriarcado nos mata e nos coloca na posição de inferior, submissa e se ousarmos tomar posse do nosso corpo, nos rotulam como putas, ou mau amadas, lésbicas (como se fosse uma ofensa), entre outros “adjetivos”.
O feminismo não é um inimigo das mulheres (nem das belas, recatadas e do lar), pelo contrário a existência dele serve para que possamos tomar consciência do nosso lugar na sociedade, além de uma posição social, ele luta pela liberdade da mulher numa sociedade capitalista patriarcal e racista.
Dentro do feminismo encontramos algumas correntes que vão dar ênfase e “norte” a sua luta, dentre elas temos: feminismo radical, feminismo negro, feminismo interseccional, feminismo liberal, feminismo marxista, feminismo queer, entre outros. São diversas correntes, mas a essência é a mesma EQUIDADE, que vai pr’além de igualdade como alguns propagam.
É importante ressaltar a importância do feminismo hoje em dia como forma de empoderamento das mulheres vítimas de violência doméstica, entender sua vulnerabilidade e entrar em contato com o seu eu e exigir do outro respeito e amor, mas lembrar de que é necessário nos amarmos e querer um/a parceiro/a que vá agregar, (com)partilhar conosco uma vida e não nos tira-la e priva-la de viver. Tomar consciência disso não nos torna incapaz de viver um relacionamento abusivo. Nós sofremos, assim como todas as mulheres e nada nos difere de nenhuma, a não ser a capacidade de não julga-la, entende-la na sua particularidade e assim respeita-la o que no feminismo é chamado de sororidade ou empatia.
Por isso é importante tomarmos consciência que o feminismo existe para que possamos ganhar um espaço de fala, numa sociedade falocêntrica e que busca a competitividade o tempo inteiro. Lembremos: “Não somos rivais, somos irmãs na revolução!”
“No dia que for possível à mulher amar em sua força e não em sua fraqueza, não para fugir de si mesma, mas para se encontrar, não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia o amor tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal.”
- Simone de Beauvoir













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